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Cursos de 2011
  1º  SEMESTRE     2º  SEMESTRE  
  Calendário Acadêmico 2011  
  Ementas 2011  




  1º  semestre 
 [ 14.mar - 24.jun ]
 HORÁRIO 2011-1 


Antropologia dos processos de formação de Estado: Políticas Governamentais e Direitos Diferenciados (MNA-831)
      Antonio Carlos de Souza Lima
O curso partirá da discussão sobre os processos de formação de Estados e construção de nações, a partir de chaves de análise sociohistóricas em geral, e antropológicas em especial, para focar-se em buscar instrumentos que permitam a pesquisa acerca de políticas de governo (governo no sentido de Michel Foucault) - tal como serão tratadas as políticas públicas. Dentre estas serão destacas as políticas relativas aos chamados direitos diferenciados (formas de regulação do pertencimento diferenciado a uma mesma coletividade, mais ou menos informadas por ideários como o do multiculturalismo, ou por regulações como as ronvenções relativas a mulheres, menores, a povos e populações tribais, ou ainda aos direitos sexuais diferenciados etc) como cenário analítico preferencial. Políticas como as de reconhecimento de direitos diferenciados de indígenas e coletividades negras à terra, à educação, à saúde, de incentivo às manifestações culturais, dentre outras, estão pensadas como cenário ideal para exercícios. O curso seguirá, idealmente, alguns passos anteriormente experimentados em seminários desta natureza. Assim, deverá : 1) proceder a uma introdução didática a temas que vêm sendo objeto de estudos dos antropólogos e que poderiam ser pensados como uma antropologia do Estado; 2) pensar como neste cenário se vem estudando as políticas públicas; 3) debater algumas das definições e teorizações sobre o Estado e as políticas públicas, através das leituras de alguns autores referenciais sobre esses temas; 4) tratar, a partir de experiências etnográficas, da relação entre intervenções governamentais e segmentos sociais construídos como diferenciados, observando suas diferentes genealogias.
  PROGRAMA  


Problemas de Análise Etnológica (MNA-854)
      Aparecida Maria Neiva Vilaça
Curso de leitura para orientandos.
  PROGRAMA  


Linguística Antropológica: Modos e caminho da tradução (MNA-861)
      Bruna Franchetto
O termo ‘tradução’ deve ser entendido, no âmbito deste Curso, em sua acepção clássica ou estrita, ou seja, como tradução inter-linguística, de uma língua-fonte para uma língua alvo. Os limites do tema serão, contudo, ampliados para nele incluir traduções inter-semióticas e transliterações. O processo de tradução, assim entendida, chama para seu âmago a análise de experiências genuinamente ou radicalmente interculturais e a questão da indeterminação: limites, possibilidade ou impossibilidade da tradução. Neste curso abordaremos vários aspectos desse trabalho e dessas experiências, em partes assim organizadas: (1) Introdução aos conceitos e procedimentos básicos (‘ dizer quase a mesma coisa ou ‘ o mesmo outro’, sinonímia, homonímia, paráfrase, equivalência, categorização, definições); (2) breve histórico das teorias da tradução; (3) a ortografização de línguas de tradição oral, um exercício de tradução inter-semiótica (com a participação da Profa. Kristine Stenzel, lingüista da UFRJ); (4) como traduzir línguas cujas categorias (lexicais e funcionais) e cuja sintaxe parecem diferir drasticamente? (exercício a partir da língua Paumari, com a participação da Profa Marcia Dámaso Vieira, lingüista da UFRJ, e de Oiara Bonilla, pós-doutoranda no PPGAS); (5) traduções verbo-musicais e etno-poéticas (exercíos a partir da língua Maxakali, com a participação da Profa Rosangela Tugny e do Dr Carlo Sandro Campos, da UFMG, e da língua Marubo, com o Prof. Pedro Cesarino da UNIFESP); (6) a tradução missionária, com a participação de Márcia Nascimento, falante de Kaingang e mestranda em Linguística na UFRJ, e de Jamalui Mehinaku, falante de Kuikuro e experiente tradutor).
  PROGRAMA  


Antropologia da Globalização (MNA-820)
      Carlos Fausto
O curso visa discutir os desafios teóricos e práticos postos pela apropriação da “cultura” pelos povos indígenas de diversas partes do mundo. Não me refiro aqui apenas à apropriação do conceito antropológico de cultura, como também da “cultura” como certo tipo de fazer criativo humano. Focalizando as discussões contemporâneas, busca-se refletir, por um lado, sobre os equívocos e paradoxos gerados nesses processos de apropriação e, por outro, sobre os desafios que tais processos colocam ao conhecimento antropológico.
As leituras principais de cada sessão são obrigatórias e espera-se que os alunos estejam preparados para intervir na discussão. Algumas aulas serão expositivas, mas o formato do curso é, sobretudo, o de um seminário de discussão, no qual se buscará discutir questões empíricas e teóricas da antropologia a partir da leitura dos textos. Alunos ouvintes só serão aceitos caso comprometam-se em frequentar integralmente o curso e ler os textos de cada sessão.
  PROGRAMA  


Antropologias Especiais: Ecologia política de uma teoria antropológica: O “perspectivismo ameríndio”, influência e controvérsia (MNA-811)
      Eduardo Batalha Viveiros de Castro
Este curso procede a um exame dos efeitos, dentro da antropologia social como fora dela — na arqueologia da religião, na filosofia política, na metafísica, na arte contemporânea —, de um conjunto de trabalhos sobre as cosmopolíticas amazônicas, genericamente conhecido por rótulos como "economia simbólica da alteridade" ou "sociologia da afinidade potencial", por um lado, e como "perspectivismo ameríndio" ou "multinaturalismo", por outro lado. Esses trabalhos podem, sob certas condições, serem tomados como constituindo uma teoria antropológica com implicações metateóricas. A focalização nessa teoria não reivindica liminarmente sua perfeita unidade, consistência ou coerência; ao contrário, ressaltaremos algumas diferenças significativas entre as contribuições dos autores associados a ela, bem como a heterogeneidade das fontes antropológicas e filosóficas da mesma.
A intenção do curso é assim acompanhar, do ponto de vista de uma micro-história do campo intelectual da antropologia e saberes mais ou menos congêneres, a trajetória conceitual do "perspectivismo multinaturalista" para além de seus dois contextos originais de elaboração, um empirico-etnográfico (principalmente a Amazônia), o outro acadêmico-institucional (principalmente o Museu Nacional), de modo a tirar as lições cosmopolíticas — tomando-se o termo agora em sentido reflexivo ou auto-antropológico — desse processo. Mas, primeiro, e, neste semestre, sobretudo (o curso poderá se desdobrar em dois semestres), vamos abordar o fenômeno por uma vertente que se poderia chamar polêmica ou polemológica, estudando e discutindo as numerosas considerações restritivas, de diverso escopo e propósito (origens interna ou externa à etnologia regional e à antropologia; natureza meliorativa ou corretiva, reducionista, negacionista etc.), que foram dirigidas à forma e/ou ao conteúdo desse conjunto de trabalhos.
O objetivo último do curso é assim, por via do exame de uma controvérsia específica, oferecer uma introdução ao mesmo tempo dialética e substantiva a certas problemáticas atuais da etnologia amazônica e da teoria antropológica geral.
  PROGRAMA  
  BIBLIOGRAFIA  



Antropologia da Economia (MNA-813)
      Federico Guillermo Neiburg
O objetivo desse curso é desenvolver uma agenda de pesquisas sobre algumas transformações da vida social contemporânea, como a extensão das transações mercantis (os sentidos do dinheiro, do cálculo monetário e da identificação de valores com preços), a mercantilização do “meio ambiente” e do “patrimônio” (material e imaterial), a quantificação de dons (no caso da “ajuda solidária” diante de catástrofes, por exemplo) e de responsabilidades (na punição de “responsáveis”), o convívio tenso entre quantificações monetárias consideradas boas ou imorais, a tensão entre mudanças tidas como negativas (as “crises”) ou como positivas – segundo os pontos de vista, por ex. a diminuição da desigualdade, o crescimento econômico ou o aumento da perspectiva de vida, conceitos exprimidos sempre em números, em relações numéricas (como as percentagens) e equivalentes monetários. Nesse universo confluem três processos: um conjunto de transformações na vida coletiva tidas como de ordem “econômica”; a criação do que, a falta de expressão melhor, pode ser qualificado como culturas econômicas singulares, construídas na confluência entre as idéias e as práticas econômicas eruditas (dos especialistas) e as ordinárias (das pessoas no dia a dia); e a aquisição de legitimidade pública por parte da linguagem e dos profissionais da economia — os economistas acadêmicos, os jornalistas econômicos, os operadores de mercado (como os investidores ou os publicitários) e os funcionários de agências internacionais ou dos governos.
Indicador, juro, risco, dinheiro, crédito, cálculo, mercado, crise, concorrência, agronegócio, empreendimento são algumas das palavras que desenham o campo semântico da economia contemporânea, palavras estas que fazem sentido para camadas cada vez mais amplas da população, muito além do estreito círculo dos especialistas. Nesse campo semântico desenham-se também os assuntos pesquisados pelos etnógrafos da economia. Trata-se de compreender os sentidos das categorias que servem para pensar e atuar no mundo tido como “econômico”, e para agir e pensar “economicamente” nas relações humanas.
O curso propõe desenvolver uma perspectiva comparativa, etnográfica e histórica situada na fronteira entre a antropologia das práticas e das interações sociais cotidianas (como os sentidos outorgados ao dinheiro, as transações, as trajetórias e as vocações de agentes sociais singulares), a antropologia da cognição (preocupada por compreender as operações de cálculo, os usos das moedas como instrumento classificador de objetos e valores, as perspectivas temporais envolvidas nas experiências associadas pelos agentes com a vida econômica), a antropologia do Estado e das políticas públicas, e a antropologia das ciências – econômicas, jurídicas e biológicas, como no caso da neuroeconomia.
  PROGRAMA  


Antropologia Urbana (MNA-815)
      Gilberto Cardoso Alves Velho
O objetivo do curso é, sobretudo através de monografias e artigos, explorar a dimensão interdisciplinar da antropologia urbana. Serão privilegiados temas como complexidade sócio-cultural, trajetórias sociais, carreiras, redes sociais e sociabilidade. Especial atenção será dada a questões ligadas ao trabalho de campo e à elaboração de etnografias.
  PROGRAMA  


Relações Interétnicas (MNA-846)
      Giralda Seyferth
O fenômeno étnico assumiu grande importância no mundo contemporâneo e suas múltiplas formas suscitaram abordagens teóricas divergentes e às vezes ambíguas, envolvendo termos e conceitos carregados de sentimentos e interpretações de senso comum. No curso serão discutidas algumas teorias sobre etnicidade, raça, minoria e nacionalismo, e sua importância para o entendimento das relações interétnicas no contexto do Estado-nação.
  PROGRAMA  


Teoria Antropológica I (MNA-701)
      José Sergio Leite Lopes,
Olívia Maria Gomes da Cunha,
Adriana de Resende Barreto Vianna e
John Cunha Comerford
O objetivo do curso é proporcionar uma introdução geral à história do pensamento antropológico através da leitura e discussão de textos que contribuíram para o desenvolvimento da disciplina. Segue um recorte cronológico (do início do séc. XIX até meados da década de 1960) procurando abordar as principais tradições teóricas configuradas em ‘escolas’, incluindo o evolucionismo social, a escola sociológica francesa, a antropologia cultural norte-americana, a antropologia social britânica e o estruturalismo. O programa combina uma atenção especial sobre as tradições nacionais com um exame de problemáticas específicas. À luz dos textos escolhidos, e de textos de comentário e contextualização, identificaremos as temáticas e os problemas que foram configurando o campo antropológico, assim como as diversas tradições metodológicas que foram modelando as suas práticas de pesquisa.
  PROGRAMA  


Antropologia dos processos de transformação social: Criolização e diferença: Perspectivas comparativas (MNA-829)
      Olívia Maria Gomes da Cunha
Em associação ou como sinônimo de noções como as de hibridização, mistura, sincretismo, singularidade, diferença e complexidade, ao longo das últimas décadas o conceito de creolização foi utilizado na caracterização de diferentes fenômenos. Apropriando-se de modelos teóricos oriundos da linguística, a antropologia investiu na problematização e aplicação do conceito em contextos marcados pela experiência colonial. Sociedades, processos políticos, culturas, grupos, línguas, transformações sociais, conhecimentos e experiências históricas foram por ele descritos, pensados e designados.
O propósito do curso é conhecer algumas das tribuladas carreiras do conceito, seus usos e lugares nos debates teóricos e nas controvérsias que mobilizaram os antropológos nas últimas décadas. Para além de um investimento nos seus percursos teóricos, o curso propõe observar comparativamente seu rendimento em etnografias sobre socialidades do Atlântico e do Índico.
  PROGRAMA  


Sobre a ‘cultura popular’: As Festas (MNA-837)
      Renata de Castro Menezes
Este curso visa oferecer uma série de leituras introdutórias ao tema das festas, o qual tem feito parte da pauta de interesses de antropólogos, historiadores, folcloristas e outros pesquisadores preocupados com o lúdico na vida social. As ferramentas teóricas e etnográficas oferecidas pretendem, por um lado, apresentar a diversidade de linhas de abordagens seguidas por distintos autores. Por outro, visam fornecer aos alunos instrumentos para a desnaturalização do objeto festa, espécie de fusão (ou curto-circuito) entre conceitos teóricos e categorias nativas. Assim, um dos objetivos do curso é o “treinamento” para a construção de problemas em torno desse objeto, evitando incorporações automáticas ou ingênuas.
  PROGRAMA  





  VOLTA   
  2º  semestre 
 [ 08.ago - 18.nov ]
 HORÁRIO 2011-2 


Gênero, Reprodução e Sexualidade (MNA-742)
      Adriana de Resende Barreto Vianna
O curso pretende explorar discussões antropológicas e correlatas sobre gênero e sexualidade. Para tanto, percorrerá parte da literatura que coloca esses temas em questão desde os anos 1970. Compreendendo que, para além de formarem um “campo”, tais discussões atravessam diferentes temáticas, problemáticas e perspectivas de análise, o curso elegerá também certas “zonas sensíveis” para reflexão. Entre elas, está a reprodução, percebida aqui como processos sociais complexos que envolvem a “fabricação social” e alocação de pessoas em relações, espaços e redes afetivas e morais. A constituição de corporalidades também será explorada, considerando em especial a trajetória e as diferentes dimensões da performatividade de gênero e as complexas e imbricadas conexões entre gênero, sexo e sexualidade. Por fim, gênero, corpos, sexo e sexualidades serão ainda pensados como linguagens ou como tensionando limites da linguagem através da discussão estabelecida com (e a partir) de temas variados e de grande alcance reflexivo e político (trans e intergeneridades, violência sexual, mercado sexual, pornografia e erotismo).
  PROGRAMA  


Organização Social e Parentesco (MNA-803)
      Aparecida Maria Neiva Vilaça
Curso de leitura para orientandos


Teoria Antropológica II (MNA-702)
      Aparecida Maria Neiva Vilaça
O curso dá prosseguimento a TAI, focalizando algumas das teorias, autores e debates que marcaram a antropologia a partir da década de 1960.
  PROGRAMA  


Processos de Transformação Social (MNA-889)
      Gilberto Cardoso Alves Velho
Seminário de orientação


Estrutura Social do Brasil (MNA-812)
      João Pacheco de Oliveira
Curso de leitura para orientandos


Antropologia dos Modos de Regulação – Moral, Reputação e Fofoca (MNA-826)
      John Cunha Comerford
Tomando como fio o exame de trabalhos de antropólogos, sociólogos e historiadores sobre “fofoca” e “reputação” e, em menor medida, “rumores”, o curso pretende explorar possibilidades etnográficas e analíticas de relacionar a dinâmica de conflitos e antagonismos com formas cotidianas de produção de narrativas, julgamentos morais, conhecimentos e interpretações relativos a eventos, pessoas e coletividades - e por essa via, refletir sobre algumas modalidades de constituição de tais entidades. O curso se reveste de certo caráter panorâmico no sentido de examinar um amplo leque de abordagens e situações etnográficas, tornando possível sugerir e evidenciar interfaces entre o que é tratado como “fofoca” ou “rumor” e temas como bruxaria, gênero, vizinhança/comunidade, faccionalismo, resistência, política, mercado. Contudo, destaque será dado ao eixo da relação entre conflito, julgamento moral, e práticas e formas expressivas. Nesse sentido, justifica-se o peso dado aos trabalhos que acionam noções como gêneros de fala, performance, poética, narrativas, etc., e ainda formas de interação, definição da situação e “molduras” (frames). A preocupação com a dimensão das moralidades justifica o diálogo com a bibliografia antropológica sobre “honra” e “vergonha”, na medida em que esta aborde etnograficamente a relação entre valores, formas de apresentação de si e modalidades de reconhecimento social agonístico. Ao longo do curso, será possível examinar entrelaçamentos constitutivos entre o que é denominado como “fofoca” ou “rumor” e temas como fama, inveja, amizade/inimizade, confiança/desconfiança, mentira, humor, ironia, polidez/impolidez, conversação, insinuação, segredo, e silêncio, de modo que a própria delimitação do objeto “fofoca” ou “rumor” será problematizada e, espera-se, enriquecida de diversas maneiras. Por fim, o curso inclui também a discussão de textos que trazem uma dimensão reflexiva com relação a alguns aspectos tanto do fazer etnográfico como do mundo acadêmico.
Atenção: O curso terá início no dia 16 de agosto. Para a primeira sessão, já há textos a serem lidos.
  PROGRAMA  


Antropologia do Trabalho - Memórias, trajetórias e biografias: aspectos narrativos em pesquisas com operários e camponeses (MNA-841)
      José Sérgio Leite Lopes e
Marta Regina Cioccari
O presente curso pretende explorar de forma analítica e etnográfica aspectos conceituais e metodológicos relacionados à construção de “trajetórias”, de “relatos” ou de “histórias de vida”, de “testemunhos”, de “biografias” e de “autobiografias”, considerando preferencialmente o universo das classes trabalhadoras urbanas e rurais. Isso significa, por um lado, debruçar-se sobre os modos de construção - e de percepção - de uma sensibilidade capaz de permitir a leitura de si e a produção de si como um valor social em determinado contexto, possibilitando o afloramento de habilidades orais, gestuais e textuais, por meio das quais é traduzida certa experiência vivida. Por outro lado, explorar como as discussões em torno de uma “expressividade narrativa” forjada em diferentes circunstâncias – considerando-se especialmente o universo de operários, de camponeses e de militantes – imbricam-se às questões postas pelos estudos voltados às concepções de memória (individual e coletiva) e história de determinados grupos de trabalhadores.
O curso deverá ser dividido em três partes. Na primeira, busca-se revisitar um conjunto de leituras antropológicas, historiográficas e sociológicas, assim como reflexões relacionadas a outros campos de conhecimento (tais como a psicologia, a filosofia e a literatura), no sentido de evidenciar a multiplicidade e o caráter não-coincidente desses conceitos, iluminando e problematizando nuances contidas nestas formulações. Na segunda parte, devem-se examinar os aspectos mais propriamente metodológicos de determinadas produções, por meio da leitura e análise de histórias de vida, de biografias e de trajetórias de trabalhadores em contexto nacional e estrangeiro. Nesta parte do curso, especial atenção será dada à construção e condução da entrevista biográfica e às técnicas de pesquisa documental, envolvendo cartas e outros materiais escritos. Na terceira e última parte, pretende-se proporcionar aos alunos uma experiência de investigação e de escrita etnográfica, individual e coletiva, com vistas à produção de um ensaio de caráter “biográfico” relativo a um personagem, com a discussão em sala de aula tanto do andamento da pesquisa como do texto produzido.
Atenção: Há leituras previstas para a primeira sessão.
  PROGRAMA  


Antropologia e Filosofia (MNA-822)
      Luiz Fernando Dias Duarte
Uma antropologia no horizonte: o século 19. Trata-se de revisitar os principais fios do pensamento ocidental nesse século, perseguindo as linhas de força ideológicas que conduziram à afirmação das ciências humanas (sciences morales, Geisteswissenschaften) e, particularmente, da antropologia moderna, no século 20. O exercício visa perceber as descontinuidades emergentes contra um pano de fundo de longa duração frequentemente ignorado ou menosprezado pelas correntes contemporâneas. Categorias tais como sistema e paisagem; civilização e cultura; espírito e organismo; ordem e história terão um lugar central nessa discussão.
  PROGRAMA  


Problemas de Antropologia Comparada. Introdução às Cosmopolíticas Afroindígenas (MNA-801)
      Marcio Goldman e
Marina Vanzolini Figueiredo
Este curso pretende dar início a um diálogo entre produções etnográficas e reflexões teóricas em dois domínios tradicionalmente separados da antropologia, a chamada etnologia dos índios sul-americanos e os “estudos afro-brasileiros”. Diálogo que pretende trazer à luz novas conexões e novas diferenciações entre os coletivos tradicionalmente estudados por esses campos de saber. Esse movimento inclui tanto a exploração de contextos nos quais se dão variadas formas de encontro entre tais coletivos, quanto a investigação das relações lógicas entre esses sistemas, seja no eixo das coexistências, seja no das sucessões espaço-temporais.
  PROGRAMA  


Linguística Antropológica - Fonologia e interfaces com a Antropologia (MNA-861)
      Marília Facó Soares
O curso encontra-se voltado para um campo de interesse da fonologia que, ainda pouco explorado, abre possibilidades para que os estudos dos padrões sonoros das línguas estabeleçam uma relação , de um lado, com o que é a essência da fonologia e da fonética e, de outro lado, com os aspectos que envolvem língua e sociedade. Em especial, o curso traz à cena as línguas secretas, os jogos linguísticos e a glossolalia, buscando focalizar a criatividade linguística, o conhecimento linguístico de que dispõem os falantes e os espaços criados/destinados ao investimento de sentidos para além do linguístico.


Antropologias Especiais - Antropologia e Literatura (MNA-811)
      Moacir Gracindo Soares Palmeira e
Ana Carneiro
O que os antropólogos fazem com a literatura e o que a literatura faz com a antropologia? Neste curso, buscaremos refletir questões comuns aos dois campos disciplinares com vistas a explorar semelhanças e diferenças nos caminhos encontrados de um lado e de outro, seja no que diz respeito à criação de seus recursos discursivos, seja no que tange aos dados da “realidade social” objetificados por registros diversos da forma textual. Partindo da ideia de que as palavras integram tanto os instrumentos de análise antropológica quanto a matéria a ser analisada pelos mesmos, colocamo-nos diante do problema das possíveis relações a serem estabelecidas, pelo texto, entre o que acontece durante a experiência de campo e no momento da escrita etnográfica. Nas últimas décadas, vêm-se intensificando reflexões sobre a amplitude das possibilidades descritivas geradas por este deslocamento no espaço e no tempo, buscando-se com isto um descentramento das perspectivas analíticas já estabelecidas. As questões que se nos impõem aproximam-se então daquelas colocadas pela prática literária, tais como a da distinção entre o registro oral e o escrito, a das fronteiras entre gêneros narrativos tidos como diversos (envolvendo a maior ou menor adequação da escolha de seus objetos), e o problema das oposições supostas entre forma e conteúdo, ficção e não-ficção, erudito e popular, real e imaginário, e daí por diante. Ao longo do curso, abordaremos estes pontos com o intuito de observar as potencialidades presentes em textos de origens variadas. Nosso foco estará na leitura de produções situadas na zona liminar entre a antropologia e a literatura, incluindo tanto etnografias que exploram a experimentação descritiva quanto obras de não-antropólogos que trazem elementos caros à antropologia. Alguns textos de cunho mais propriamente teórico servirão de complementação ao debate.
  PROGRAMA  


Antropologia Histórica e Etnohistória – O tempo, o lugar e as coisas (MNA-835)
      Olívia Maria Gomes da Cunha
Quais informações e conhecimentos têm sido inseridos sob o rótulo ‘contexto’ e quais são os efeitos de sua utilização na produção de etnografias e estudos antropológicos? De que forma noções de tempo e espaço alteram o valor e o lugar das pessoas e dos objetos? O curso pretende reunir um conjunto específico de intervenções e debates sobre a relação entre antropologia e história a partir da análise de categorias comumente utilizadas em estudos que reivindicam alguma associação com os dois ‘campos’, ‘disciplinas’ e perspectivas. Porém, em vez de um debate sobre aspectos metodológicos acerca das formas de conceber e descrever “contextos”, o curso propõe uma leitura crítica dos modos através do quais noções de temporalidade e espacialidade tem sido subsumidas à esforços denominados ‘históricos’ e ‘contextuais’. Trata-se da leitura de diferentes modalidades de análise antropológica e de experimentos de natureza etnográfica nos quais categorias espaço-temporais emergem como pontos de inscrição associados aos modos de existênciam das socialidades estudadas. Diante do expressivo volume de textos que poderiam ser utilizados e das suas potenciais implicações teóricas, o curso pretende experimentar um modo diverso de conhecer esse debate, propondo uma demarcação temática nas várias intervenções arroladas. Dividido em duas partes, o curso se debruça sobre certos conceitos fabricados pel@s antropólog@s e seus interlocutores nas etnografias sobre o Pacífico e da Melanésia, explorando algum tipo de articulação com temas comuns em etnografias sobre populações que se denominam maroon (Jamaica) e businenge (Suriname e Guiana Francesa) nas Américas para e sobre as quais concepções sobre tempo e história tem implicações importantes nos seus modos de existência.


Antropologia da Religião: Introdução ao estudo das religiões no Brasil (religiões “em relação”) (MNA-819)
      Renata de Castro Menezes
Este curso pretende oferecer uma bibliografia introdutória ao estudo das dinâmicas que têm perpassado o “campo das religiões” do Brasil nas últimas décadas, pensando tanto as relações das religiões entre si, como as relações delas com aquilo que se convenciona chamar de “outros domínios da vida social”. A maior presença no espaço público, notadamente no universo da política; o proselitismo ostensivo de algumas denominações evangélicas e de novos movimentos no interior do catolicismo; a dificuldade do movimento ecumênico nacional e internacional; as discussões sobre patrimônio (material e imaterial) que envolvem práticas rituais; as combinações entre identidade religiosa e identidade étnica serão alguns dos temas tratados no semestre. Assim, pensar as religiões “em relação” é o desafio proposto e, portanto, análises de situações de interface (trânsitos, conversões, conflitos, acusações, sincretizações, creolizações, passagens em geral) serão privilegiadas.
  PROGRAMA  


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