Cursos de 2010
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2º
semestre
[ 09.ago - 26.nov ] |
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Antropologia das Emoções: Sentidos sociais do sofrimento
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Adriana Vianna
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Esse curso busca explorar algumas dimensões sócio-antropológicas em torno dos “sofrimentos”. Problematizando relações entre emoções, contextos e ação social, espera discutir não apenas a emergência de situações consideradas por diferentes atores sociais como marcadas pela “dor” ou pelo “sofrimento”, mas as possibilidades de atuação construídas por tais atores sob essa égide.
As formas de classificação, expressão e matizamento dos sofrimentos serão tomadas como tendo especial importância. A irrupção de dramas percebidos como excepcionais frente às “dores ordinárias” da vida; as injustiças capazes de produzir indignação individual ou coletiva; a escolha das formas e dos sujeitos legítimos para narrar os contextos e eventos penosos, bem como certas diferenças sociológicas cruciais que definem os contornos de tais sentimentos (gênero, status etc) farão parte dos temas tratados ao longo do curso.
Ao lado das dinâmicas de coletivização em torno do “sofrimento”, expedientes que aqui chamo de rotinização da dor também serão pensados, considerando-se para tanto processos de conversão dessas dores em capitais simbólicos específicos para indivíduos ou grupos, bem como experiências de quantificação e produção de equivalências materiais e simbólicas, como as geradas através de indenizações ou compensações variadas. |
Teoria Antropológica II
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Antonio Carlos de Souza Lima & Giralda Seyferth
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O curso de Teoria Antropológica II visa dar continuidade ao processo de formação básica e geral nas teorias antropológicas que se desenvolveram a partir das décadas de 1950/1960 até momentos mais atuais. Em cursos de Teoria Antropológica I é possível imaginar diversas composições de temas, problemas e métodos no campo polissêmico das disciplinas antropológicas – que no caso brasileiro, usualmente não enfoca a Antropologia biológica, a Arqueologia ou a Lingüística antropológica, como na formação norte-americana (os ditos four fields); ou hoje não dá a importância à sociologia que é dada no campo intelectual francês. Ainda assim, há certos caminhos que se impõem com, por vezes, demasiada obviedade escolar. Num curso que vise cobrir os desenvolvimentos de distintas tradições antropológicas dos anos pós-Segunda Guerra ao presente nada é tão “evidente”, se não à luz de escolhas.
A enorme diversidade de posições existentes na Antropologia contemporânea em suas diversas tradições nacionais, seja em seus desdobramentos teóricos, seja em temáticas e problemáticas específicas, seja nas suas inúmeras anunciadas “crises” e re-proposições à luz de diferentes projetos com pretensões hegemônicas, implica em forçosamente fazer escolhas, como têm sido feitas a cada ano pelos diferentes docentes que ministraram a disciplina. No presente curso procuraremos compor textos que ofereçam panoramas gerais do período histórico e da disciplina nessas décadas, com leituras sobre temas específicos que surgem e “se impõem” no período. Não temos a pretensão de ser exaustivos.
Assim, daremos especial atenção ao contexto das descolonizações no pós-guerra, à (auto) crítica antropológica do legado colonial, ao estudo da emergência de nacionalismos, às discussões renovadas sobre os racismos, aos estudos sobre identidades, sobre etnicidades, em especial nos contextos de sociedades plurais e complexas como se tornaram as européias e norte-americanas dos anos 1960 para diante. O mundo das homogeneidades apreensíveis por conceitos totalizadores cede lugar aos poucos àquele que precisa ser pensado por instrumentos que possam apreender dinamismos e conflitos crescentes. Antes que querer afirmar uma crítica e forjar uma posição supostamente “inovadora” como saída desta vasta dispersão que é o cenário da Antropologia contemporânea, esperamos que uma visão geral da diversidade assome das leituras e discussões.
Além de exposições didáticas sobre os temas das sessões, os alunos serão convidados a fazer apresentações de textos e exercícios sobre certos tópicos. Discutiremos ao longo do curso as possibilidades de trabalho final. A cada sessão serão indicados textos obrigatórios, textos para exposição e textos subsidiários para consulta.
Atenção: O curso terá início no dia 18/08.
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Etnologia dos Índios Sul-Americanos
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Aparecida Vilaça
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Esse curso tem como objetivo oferecer um panorama geral e introdutório da literatura sobre os povos nativos amazônicos. Com esse fim, será dividido em duas partes. Na primeira delas discutiremos artigos que tratam de temas gerais considerados chave para a compreensão das socio-cosmologias amazônicas, tais como o parentesco, a corporalidade, a morte, a guerra, o canibalismo e as noções de transformação e de perspectiva. A seleção dos artigos será realizada a partir de um recorte específico: a distinção (e imbricação) entre processos de transformação e de estabilização. Dentre os primeiros estariam os fenômenos como o xamanismo, a guerra e o canibalismo; dentre os últimos estariam as relações familiares e de produção do parentesco, e o ritual. O interesse dessa dicotomia encontra-se no fato desses dois tipos de processos, claramente imbricados uns nos outros, serem frequentemente tratados na literatura como caracterizando formas de socialidade distintas, sendo esta distinção atribuída ora a um certo caráter geral dos índios, ora a escolhas teóricas e metodológicas dos antropólogos. A segunda parte do curso será dedicada a uma apresentação detalhada, por pesquisadores especialistas, de alguns grupos linguísticos específicos, como os Jê, os Guarani e os Arawá, e de sistemas regionais, como o Noroeste Amazônico e o Alto Xingu. O objetivo aqui é oferecer aos alunos dados etnográficos atualizados e informações sobre as condições de pesquisa de campo.
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Prática Linguística
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Bruna Franchetto
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O curso tratará em seminários semanais temas de interesse específicos dos orientandos e co-orientandos, a saber: (i) encontro entre línguas: perspectivas diacrônicas e sincrônicas sobre a formação e a reprodução de sistemas ameríndios multilíngües, enfocando as regiões do Alto Xingu e do noroeste amazônico; (ii) aspectos da gramática de línguas indígens (desenvolvimento do curso ministrado no 1º semestre de 2010; (iii) teorias e práticas da tradução: da oralidade à escrita, da língua-fonte à língua-alvo, da fidelidade textual à transcriação.
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Antropologias Especiais – Reuniões do Núcleo de Pesquisa (NANSI)
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Eduardo Viveiros de Castro & Marcio Goldman
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A antropologia como prática comparativa: o comparatismo no campo e na teoria
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Federico Neiburg & Benoît de l’Estoile (visitante)
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A comparação como procedimento metodológico e analítico tem sido central na constituição da antropologia como disciplina acadêmica e, apesar das críticas e das dúvidas formuladas em relação aos projetos comparatistas, continua no coração da disciplina. A prática da comparação é constitutiva da produção do saber antropológico em dois sentidos. A própria etnografia baseia-se em um comparatismo explícito ou implícito entre o(s) mundo(s) com o(s) qual(is) os antropólogos estão mais familiarizados e aqueles que pretendem conhecer. Por outro lado, as comparações estão presentes na própria estrutura de produção dos saberes antropológicos, o que favorece o confronto do conhecimento acumulado sobre diferentes universos sociais, em contraste com as disciplinas nacio-centradas, que privilegiam o estudo dos universos sociais dos próprios analistas.
Ao longo do curso, pretendemos examinar textos e situações que permitam refletir sobre os procedimentos comparativos, questionar os projetos comparatistas nas ciências sociais, as condições de possibilidade das comparações, as categorias e unidades de análise mobilizadas nas práticas comparativas e, ainda, relacionar o comparatismo “prático” (dos nativos e dos etnógrafos) com o comparatismo “teórico” (dos analistas). O objetivo é contribuir para a construção de instrumentos que permitam a produção de análises comparativas teórica e empiricamente mais consistentes.
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Críticas da Antropologia
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Gilberto Velho
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Curso de leitura para orientandos
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Relações Interétnicas
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João Pacheco de Oliveira
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Curso de leitura
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Antropologia do Meio Ambiente: Antropologia da Natureza
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Luiz Fernando Dias Duarte & Ana Daou (IGEO/UFRJ)
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Pessoa, Ordem moral e Natureza - Trata-se de discutir a constituição e desenvolvimento dos sistemas de significado relativos à “natureza” na cultura ocidental, com ênfase no Brasil durante o período formativo do século XIX / Belle-Époque. A difusão internacional das ideologias da modernidade ocidental ensejou nesse período um amplo quadro de experimentação e debate sobre as características, condições e prognósticos da relação do “humano” com a “natureza”, seja no seu sentido externo (a respeito da “natureza tropical”, por exemplo), seja no seu sentido interno (a “natureza humana” e a “natureza interior”), ou seja ainda no das correlações entre esses níveis. Pretende-se discutir também a possível relação desses desenvolvimentos com as expressões atuais dos sistemas de significado da “natureza”.
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Antropologia Cognitiva: Antropologia da Ciência e Antropologia como Ciência
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Marcio Goldman
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O objetivo central deste curso é introduzir uma reflexão alternativa aos debates mais usuais em torno do caráter científico ou não das ciências humanas em geral e da antropologia em particular. Por meio da análise de trabalhos de autores que, já há cerca de meio século, vêm apresentando visões distintas da epistemologia e da filosofia da ciência tradicionais, o curso pretende retomar a discussão sobre o significado da cientificidade na antropologia e suas implicações ético-políticas. |
Antropologia do Poder
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Moacir Palmeira & Mariza Peirano (visitante)
| | O curso tem como objetivo discutir os temas, base teórica e desenvolvimentos posteriores do projeto “Uma Antropologia da Política: Rituais, Representações e Violência” (de 1997 a 2005). O propósito daquela iniciativa, que reuniu pesquisadores de diferentes universidades, era fazer uma antropologia da política, apoiando-se em uma perspectiva simultaneamente etnográfica e comparativa. Monografias e artigos produzidos pelo projeto serão analisados nas sessões do curso.
Atenção: O curso terá início no dia 17/08.
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1º
semestre
[ 08.mar - 25.jun ] |
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Fatos de Línguas e Linguagem, entre Lingüística, Antropologia e Filosofia
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Bruna Franchetto
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O curso apresenta um conjunto de grandes temas centrais nos estudos lingüísticos e que atravessam fronteiras disciplinares, permitindo múltiplas abordagens. Estes temas instigam reflexões sobre possibilidades e limites do pensamento humano conformado lingüisticamente, tanto em suas especificidades (línguas) como em seus elementos infra-específicos (universais da linguagem). Repensamos, assim, o relativismo e o que podemos descobrir aquém das diferenças perceptíveis considerando fatos de linguagem manifestados por línguas distintas. Iniciaremos com uma apreciação da musicalidade da fala; em seguida falaremos dos building bloks da estrutura da frase (estruturas argumentais) e da necessária distinção entre categorias lexicais (precedentes ontológicos ou efeitos da estrutura da frase e da predicação?) e categorias gramaticais (conhecimento do mundo e possibilidades lógicas). Ao adentrar fatos e questões associados às categorias gramaticais da Flexão, selecionamos Pessoa, Determinação e Número, Tempo, Aspecto, Modo e Modalidade. Ao longo do curso serão feitos exercícios a partir de dados de diversas línguas e receberemos palestrantes, cuja participação será oportunamente anunciada e confirmada.
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Lévi-Strauss: leitura das Mitológicas
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Eduardo Viveiros de Castro & Lydie Oiara Bonilla (pós-doutoranda PPGAS)
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Leitura e interpretação da tetralogia Mitológicas e dos livros A Via das Máscaras, A Oleira Ciumenta e História de Lince. A tese a ser desenvolvida no curso é que as análises míticas de Lévi-Strauss definem uma linha de fuga "pós-estrutural", presente em sua obra desde o artigo 'A Estrutura dos Mitos", mas radicalmente distinta tanto da sociologia da comunicação esboçada d'As Estruturas Elementares do Parentesco, como da psicologia da classificação exposta em O Totemismo Hoje e O Pensamento Selvagem.
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Antropologia das Sociedades Complexas (Antropologia e História)
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Gilberto Velho
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O curso utiliza textos de Antropologia e História para a investigação da problemática da Antropologia das Sociedades Complexas. Focaliza, especificamente, o desenvolvimento da sociedade moderno-contemporânea a partir de suas raízes na Antigüidade, na Idade Média e no Renascimento. Entre outros temas serão analisadas a gênese e as características das ideologias individualistas e suas relações com sistemas hierárquicos. Por outro lado, há uma preocupação em estabelecer relações entre diferentes domínios como os da religião, da arte e da política. Será examinada a problemática da teoria da cultura e suas relações com as transformações que levaram à modernidade, assim como a multidimensionalidade e o trânsito entre domínios e províncias de significado na sociedade moderno-contemporânea.
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Sociedades Camponesas
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Giralda Seyferth & Moacir Palmeira
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Para além dos debates em torno da definição de termos como “camponês”, “campesinato”, “sociedade camponesa” e de suas implicações teóricas e políticas, que marcam a produção intelectual de diferentes disciplinas entre os anos 60 e 80 do último século, todo um conjunto de trabalhos empíricos sobre diferentes situações, grupos, sociedades, movimentos sociais etc. rotulados como “camponeses” tem sido, desde então, desenvolvido por antropólogos e outros cientistas sociais. O objetivo do curso é discutir alguns desses trabalhos, tentando verificar em que contribuíram para a redefinição de temas e questões abordados pela antropologia social.
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Antropologia do Colonialismo
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João Pacheco de Oliveira & Priscila Faulhaber Barbosa (MAST)
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A chamada “antropologia do colonialismo” é hoje em dia uma área importante da produção antropológica, dispondo de uma bibliografia extensa e frequentemente estando representada em congressos e em publicações destacadas. A grande maioria dos trabalhos porém adota a perspectiva do pós-colonialismo, seguindo na trilha aberta por cientistas sociais e pensadores indianos, que procuram re-conceituar as ferramentas de análise social a partir de uma tradição filosófica independente do pensamento ocidental.
Embora vamos também discutir alguns destes autores, a nossa preocupação central é focalizar as contribuições que os movimentos políticos anti-coloniais deram (e podem continuar a dar) à revisão de teorias e procedimentos básicos da Antropologia enquanto disciplina científica.
O colonialismo não é um simples objeto de investigação científica, como muitos outros que focalizam domínios da vida social, mas algo que esteve subjacente à própria conformação da disciplina, imaginada como um saber universal e empírico, testável e transmissível. O desafio maior, acreditamos, não é justapor uma ciência ocidental a uma tradição não ocidental específica, mas buscar diferentes formas de engendrar um conhecimento do social que reflita criticamente sobre as suas próprias condições de produção.
O objetivo do curso é explicitar os contextos históricos e culturais em que opera o colonialismo, problematizar o descolamento entre atividade científica e o olhar imperial, acompanhando o surgimento de múltiplas alternativas e pressupostos para o fazer antropológico. Algo que pode ser procurado em pesquisas realizadas na África, na Oceania e no Oriente – mas também na Europa e na própria América - (que em certos contextos é o Oeste por excelência).
A nossa preocupação, que é etnográfica (e não filosófica), irá se apoiar na re-leitura de alguns pensadores (como Bakthin, Benjamin e Adorno, por exemplo), mais usualmente referidos à Europa e ao Ocidente, mas estará ancorada na discussão de vertentes novas de trabalho na antropologia, sobretudo em antigas áreas coloniais (Fabian e Bazin; Bensa; Asad e Said; Rappaport, Roseberry, Pratt, Coronil, Cardoso de Oliveira e Escobar).
O trabalho final será uma resenha de monografia antropológica atual, podendo ser pensada outra possibilidade para alunos que estejam em estágio avançado de pesquisa e que queiram utilizar de seus próprios materiais. |
Antropologia do Pensamento Social no Brasil: História social dos primeiros estudos sobre trabalho e trabalhadores nas ciências sociais brasileiras
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José Sergio Leite Lopes, Elina Pessanha (IFCS/UFRJ) & José Ricardo Ramalho (IFCS/UFRJ)
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Este curso procura exercitar instrumentos de análise do campo intelectual no que se refere a uma temática específica, os momentos iniciais dos estudos universitários sobre o trabalho e sobre os trabalhadores no Brasil, entre as décadas de 1950 e de 1970, antes da explosão de estudos que acompanharam a generalização da pós-graduação no país. Tais estudos concentraram-se nos principais círculos universitários da época nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, em particular na primeira, acompanhando a importância tomada pela Sociologia, em um sentido amplo, nas instituições universitárias locais.
O programa do curso relaciona-se com o projeto “Albertino, Aziz, Evaristo, Juarez e Leôncio: Estudos Pioneiros sobre Trabalhadores e Sindicalismo no Brasil”, que envolve os professores do curso. Os seminários têm a intenção de servir de laboratório para a exposição e elaboração final dos resultados do projeto, com alunos interessados nas temáticas e nos instrumentos de pesquisa a serem apresentados.
Os instrumentos de pesquisa referem-se à literatura de história social das ciências sociais, de análise do campo intelectual, assim como da circulação de idéias e de relações de saber e de poder entre grupos universitários e diferentes classes e grupos sociais.
As análises propostas pelos críticos e as resenhas bibliográficas que focalizam os estudos sobre trabalhadores estão centradas sobre as temáticas, os resultados, os debates, em suma sobre os conteúdos das obras produzidas a respeito da classe trabalhadora brasileira. Sem deixar de reconhecer a pertinência destas análises, a que aqui se propõe refere-se menos aos objetos das pesquisas que à relação dos pesquisadores com seus objetos de estudo; isto é, tem menos a ver com os textos e mais a ver com os contextos. Ora, se os contextos das obras quase não são importados junto com as obras na circulação das idéias entre as nações, também acontece que estes contextos se perdem entre uma e outra geração no interior das próprias nações: este é o caso do desenvolvimento desta questão no Brasil, especialmente alterado pelos efeitos da intervenção do campo político sobre o campo intelectual e sobre a universidade.
As relações individuais destes sociólogos com os grupos hegemônicos dentro da sociologia universitária; sua integração nos outros institutos ou departamentos aos quais a sociologia oferecia seus quadros; a incidência de sanções políticas que tiveram o efeito de interromper ou de desviar suas carreiras; as probabilidades de exposição à circulação internacional das idéias, através dos deslocamentos pessoais ao exterior ou por seu pertencimento a redes internacionais; assim como também sua exposição diferencial à circulação das idéias entre as classes sociais, em particular com relação ao seu próprio objeto de estudo, a classe operária; estas são algumas das questões que deverão ser aprofundadas.
Atenção: O curso terá início no dia 16/03. |
Teoria Antropológica I
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Luiz Fernando Dias Duarte
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O curso de Teoria Antropológica I - que tem seu prosseguimento no segundo semestre com o curso de Teoria Antropológica II - pretende oferecer uma leitura abrangente da história intelectual da antropologia entre a segunda metade do século XIX e o início da década de 1970, através de textos originais dos principais autores desse período e de textos de comentário e contextualização.
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Estrutura das Línguas Indígenas Brasileiras: questões avançadas e debates sobre problemas de análise
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Marília Facó Soares
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O curso aborda produção recente sobre línguas indígenas brasileiras e busca focalizar essa produção do ponto de vista de questões avançadas e debates surgidos na análise dessas línguas. A partir de problemas levantados em análises linguísticas de grandes conjuntos de dados, determinados tópicos receberão atenção especial, entre esses estando a estrutura linguística e o ritmo – esse último incluindo, de um lado, a relação entre ritmo e fonologia da frase (o jogo do ritmo em superfícies linguísticas), e, de outro lado, ritmo e discurso (o ritmo para além das superfícies lingüísticas).
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Rituais e Simbolismo
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Mariza Peirano (Visitante)
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O curso tem como objetivo focalizar a relação entre etnografia, linguagem e teoria antropológica da perspectiva dos rituais. Trata-se de um curso analítico (e não temático), que parte da idéia de que a antropologia sempre incorpora, de forma explícita ou implícita, uma teoria da linguagem. Com tal objetivo, quatro autores de referência (filósofos e linguistas, a saber: Ferdinand de Saussure, Charles Peirce, Roman Jakobson e John Austin) serão lidos no original e contrastados com antropólogos que os tiveram como referência ou inspiração.
O curso combina discussões coletivas e orientação individual, e é direcionado a alunos que já fizeram as disciplinas obrigatórias de teoria antropológica da pós-graduação. Como trabalho final, o aluno deve apresentar uma análise inédita de material etnográfico.
Curso restrito para alunos que já fizeram TAI e TAII. Ouvintes não serão aceitos.
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Antropologia do Corpo: Corpos e seus Fragmentos: imagem, transformação e circulação
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Olívia Gomes da Cunha
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O curso procura refletir sobre as formas através das quais, em diferentes sociedades, concepções de corpo tornam-se objeto de expressão, diferenciação, controle e transformação social. Para além de formas expressivas relacionadas a estética e a arte, as leituras propostas também focalizarão práticas de controle social associadas à formas de representar social e simbolicamente corpos percebidos através de sinais da diferença, de princípios de pureza e contaminação.
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Antropologia da Religião: Materialidades da Devoção
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Renata de Castro Menezes
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O curso pretende tratar das expressões materiais assumidas pelas devoções, isto é, pensar como as devoções se materializam, ou se articulam em torno de materialidades. Em conexão com trabalhos antropológicos preocupados com o lugar social dos objetos, e/ou com os objetos enquanto expressões culturais, a intenção é discutir como o corpo, a imagem, os ex-votos e os templos, são formas "materiais" ou "materializantes" da relação de devoção, e por isso mesmo, um problema (ou um lócus estratégico) a ser privilegiado na análise do tema. Busca-se assim estabelecer uma ponte entre Antropologia da Religião e Antropologia dos Objetos. Atenção: Trata-se de um curso de leitura, voltado a interesses específicos de pesquisa. Os interessados devem contatar a professora diretamente antes de efetuar a matrícula.
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