Cursos de 2012
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Últimas Atualizações
[15/07] Cursos 2012-2 atualizados
[15/07] Ementas 2012 atualizado
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Etnografias comparadas: cosmologias da produção de alteridade
(MNA-829 - Antropologia dos Processos de Transformação)
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Aparecida Vilaça
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O curso tem como objetivo a leitura de monografias clássicas e recentes sobre parentesco, mitologia, ciência e religião, visando uma discussão comparativa sobre os processos de transformação atuados por povos nativos e euroamericanos.
Curso de leitura exclusivo para orientandos.
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Línguas Ameríndias: categorias, estruturas e processos
(MNA-863 - Estrutura das Línguas Indígenas Brasileiras)
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Bruna Franchetto
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O curso aborda alguns tópicos importantes para o estudo das línguas ameríndias, sobretudo as faladas em território brasileiro, ressaltando a sua contribuição para teorias da linguagem e da implementação da diversidade morfológica e sintática. Tais tópicos são também relevantes para entender interfaces entre gramática, fonologia, semântica e pragmática. Eles instigam reflexões sobre possibilidades e limites do pensamento humano conformado linguisticamente, tanto em seus princípios infra-específicos (universais) como em suas especificidades. O relativismo será redimensionado em exercícios de interpretação comparativa (tradução) das diferenças perceptíveis entre línguas. Os tópicos, em sequência, serão: 1. Categorias (ontologia e geração); categorias lexicais e gramaticais; Nomes, Verbos, Adjetivos, Adposições. 2. Hierarquia de Pessoa. 3. Nomes despidos, massivos e contáveis. 4. Singularidades, pluralidade, classificadores. 5. Eventos e argumentos. 6. Aspectos. 7. Tempo (lingüístico) e narrativa.
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Música, imagem e palavra em contextos rituais
(MNA-830 - Antropologia da Arte)
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Carlos Fausto e Tommaso Montagnani (Fondation Fyssen)
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Este curso dá continuidade às investigações sobre o ritual que vimos realizando nos anos anteriores. Temos buscado conjugar três níveis analíticos: um nível ontológico (que diz respeito aos existentes postulados por uma determinada sociedade), outro formal (que diz respeito às convenções estéticas de uma determinada cultura) e, por fim, um nível pragmático (que diz respeito às ações e interações próprias aos eventos rituais). Visamos explorar a articulação entre esses níveis, por meio de análises densas de materiais empíricos diversos. A proposta deste ano é focalizar a matéria mesma das expressões verbais, musicais e plásticas que constituem os eventos que denominamos ‘ritual’. Trata-se de dar atenção à materialidade dessas expressões, explorando as potencialidade próprias ao uso ritual da palavra, do som e da imagem. A primeira parte do curso concentrar-se-á na música, em colaboração com o etnomusicólogo Tommaso Montagnani; a segunda focalizará o uso ritual da palavra e, a última, será dedicada a algumas expressões plásticas.
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Do matriarcado primitivo à sociedade contra o estado e além. Cartografia da hipótese antropofágica
(MNA-822 - Antropologia e Filosofia)
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Eduardo Viveiros de Castro e Alexandre Nodari (UFSC)
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O curso tem como eixo uma leitura detalhada dos diversos escritos teóricos de Oswald de Andrade sobre a noção de antropofagia, em particular o texto intitulado “A psicologia antropofágica”, a tese “A crise da filosofia messiânica” e o ensaio “O Antropófago”. O objetivo é, em primeiro lugar, mapear o campo de referências desses textos, desde suas fontes inspiradoras fundamentais — Montaigne, os “três gênios Marx, Nietzsche e Freud”, a antropologia vitoriana (Bachofen, Morgan, Engels) e clássica (Malinowski, Lévi-Strauss) — até o horizonte filosófico contemporâneo, do pragmatismo e do bergsonismo ao marxismo e ao existencialismo. Em segundo lugar, trata-se de discernir a “concepção de mundo” que Oswald associa à noção, isto é, qual a antropologia expressa na antropofagia. Interessa-nos aqui sobretudo a dimensão político-filosófica de tal antropologia (teorias do matriarcado primitivo e do sentimento órfico), bem como a metodologia oswaldiana (Paleontologia social, Errática). Estabelecer as analogias entre a antropologia política oswaldiana e certas reflexões mais recentes sobre as sociedades primitivas, notadamente a obra de Pierre Clastres, constitui nosso terceiro objetivo. Por fim, as relações entre a antropologia de OA e a etno-antropologia ameríndia (tal como reconstituída pela etnologia filosófica contemporânea) são o quarto tema do curso.
A tese defendida no curso toma a Antropofagia, no sentido conceitual específico que lhe conferiu Oswald de Andrade, como designando o impensável metafísico constitutivo da tradição ocidental, a figura de máxima alteridade relativamente ao complexo nativo do Velho Mundo, a tríade Estado-patriarcado-messianismo.
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Governamentalidades contemporâneas - abordagens etnográficas
(MNA-888 - Etnografia, escrita e teoria etnográfica)
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Federico Neiburg
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Como se regula a circulação de pessoas, objetos e dinheiro no plano internacional? Quais são as agências e os agentes encarregadas dessas regulações? Sobre queautoridade eles legitimam as suas ações? Como, nessas configurações sociais, se articulam espaços nacionais e internacionais? Que princípios sustentam essas “formas de governo”e como eles convivem com os dispositivos da soberania, i.e. com a administração de territórios, populações e mercados nacionais? Quais são as operações de pesquisa que tornam essas configurações objeto de investigação etnográfica,capturando, ao mesmo tempo, a vida de pessoas singulares, dinâmicas locaise processos de grande escala espacial e temporal?
O seminário propõe explorar essas questões através da leitura detalhada de quatro monografias que têm se tornado especialmente influentes na literatura antropológica que trata sobre esses assuntos. A primeira apresenta uma pesquisa sobre as relações ambíguas e ambivalentes das pessoas com os estados da bacia do rio Chade, na África central (especialmente, Sudão, Chade, Líbia e Camarões); a segunda examina a articulação entre agências internacionais, órgãos do governo, “lideranças comunitárias” e ONGs nos bairros pobres do Cairo; a terceira,focaliza na “vontade de melhorar” as vidas pessoais e coletivas no contexto da idealização e implementação de projetos de desenvolvimento na Indonésia; e a quarta analisa, a partir do Japão,as práticas e os agentes encarregados da regulação de mercados financeiros em escala global.
O objetivo do curso é refletir sobre a intimidade das pesquisas e a construção dos textos apresentados, dando especial atenção àarticulação entre argumentos empíricos e teóricos, e à dimensão comparativa neles presentes. Dessa maneira, as discussões suscitadas no decorrer do seminário devem permitirum diálogo intenso com os projetos de pesquisa dos participantes.
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Antropologia Urbana
(MNA-815)
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Gilberto Velho
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O objetivo do curso é apresentar e discutir uma bibliografia sobre cidade e pesquisa, privilegiando temas como complexidade, correntes de tradição cultural, interações, trajetórias sociais e sociabilidade. Especial atenção será dada à problemática da pesquisa em sociedades complexas, particularmente, no que toca às peculiaridades da investigação da metrópole e na sociedade do investigador. Nesse sentido, situações brasileiras serão valorizadas.
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Teoria Antropológica I
(MNA-701)
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Giralda Seyferth e Antonio Carlos de Souza Lima
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O objetivo do curso é propiciar uma introdução à história do pensamento antropológico no período da segunda metade do século XIX até meados dos anos sessenta do século XX, fornecendo para isso instrumentos para leitura e crítica de certos modos de abordagem da(s) história(s) da(s) disciplina(s) em suas variantes nacionais e nas perspectivas teóricas que se destacaram (ou por vezes foram posteriormente destacadas) a cada momento desse período cronológico. Não pretendemos induzir a que se construa uma visão das trajetórias das antropologias como uma (única) "história das superações" que desemboca em autores e tradições atuais, mas reconhecer alguns momentos e marcas que perduram, ainda que sejam hoje apresentadas apenas como ultrapassadas.
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Indigenismo e política indigenista nas Américas
(MNA-847)
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João Pacheco de Oliveira e Sidnei Clemente Peres
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O uso do termo indigenismo traz consigo a expectativa de uma grande e explicita unidade de pensamento e de ação por parte das diferentes nações da América no tratamento de suas populações autóctones. A nossa intenção aqui não é de considerá-lo enquanto uma doutrina fundadora de ações nem de inversamente vir a descartá-lo como uma ilusão sem valor heurístico, mas de tomá-lo como um conjunto de saberes que resultam de um complexo processo de confronto e sobreposição entre produções sociais ocorridas em contextos históricos heterogêneos, envolvendo agentes diversos e localizados em escalas distintas.
Nesta perspectiva a finalidade deste curso é sobretudo explorar a diversidade das doutrinas e práticas vigentes em alguns países da América no que concerne as suas populações indígenas. Apesar de tal variabilidade (que é preciso dimensionar e reconhecer) é possível identificar ao longo do curso alguns vetores que buscam introduzir uma relativa unidade neste conjunto de manifestações nacionais.
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Etnografias em situação de dominação social
(MNA-826 – Antropologia dos Modos de regulação social)
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José Sergio Leite Lopes
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O curso procurará enfatizar o exame de instrumentos de pesquisa assim como seus estilos e modos de fazer. Uma literatura sobre formas de dominação será discutida, assim como monografias escolhidas lidando com situações diversificadas propícias para comparação. Além de uma bibliografia clássica sobre o assunto, as sessões do curso tentarão incluir outros estudos, analisando tanto aspectos menos observados de formas antigas ou emergentes de dominação (incluindo-se o conflito, o uso do direito e o uso da forca física; o uso de objetos materiais e criações simbólicas; o uso da transmissão de conhecimentos e da escola); quanto o surgimento de críticas à ordem social, salientando-se as apropriações simbólicas, por parte de diferentes agentes, das relações sociais envolvidas.
Algumas sessões visarão a discussão de pesquisas em desenvolvimento de mestrandos e doutorandos, assim como experiências escolhidas de pesquisas anteriores ou em andamento de profissionais do ofício. Pretende-se também um investimento na ativação das potencialidades de um núcleo de pesquisa do PPGAS-MN (o Núcleo de Antropologia da Política, da Religião e do Trabalho – Nanport) bem como sua relação com outros centros de pesquisa internos ou externos ao PPGAS-MN.
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Construção Social da Pessoa, Família e Identidade
(MNA-817)
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Luiz Fernando Dias Duarte
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Trata-se de ensejar a reflexão sobre o fenômeno da família, à luz da comparação etnográfica e histórica, com ênfase em suas implicações para a construção das identidades pessoais, sobretudo na cultura ocidental. O fenômeno da “individualização” do sujeito será examinado pelo ângulo das alterações do formato e ideologia da “família” a partir do século XVIII. Uma atenção especial será dada às condições do entranhamento das identidades, seu caráter transpessoal, na trama familiar, no sentido das gerações, das fratrias, das alianças e da descendência.
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Críticas da Antropologia
(MNA-821)
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Márcio Goldman
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Exame dos momentos de crise disciplinar e das propostas críticas feitas desde outros campos de saber.
O objetivo central deste curso é a discussão de uma questão aparentemente específica: que transformações devem afetar a prática antropológica (trabalho de campo, etnografia e elaboração teórica) a partir do momento em que os antropólogos aceitam o fato de que “os nativos” não precisam deles para “representá-los”?
Tendo como premissa algumas das principais críticas anti-colonialistas e anti-representacionalistas elaboradas dentro da própria antropologia desde a década de 1950, o curso pretende explorar outras possíveis “respostas” para essa questão. De um lado, o modo como Gilles Deleuze e Félix Guattari colocam a questão “o que é a filosofia” quando o filósofo assume que cientistas e artistas não precisam dele para pensar. De outro, o modo como Bruno Latour, Isabelle Stengers e Tobie Nathan colocam a questão da relação entre o nosso saber e outras formas de pensamento e prática.
Nessa direção, se entendermos a antropologia como a definiu Tim Ingold (“anthropology is philosophy with the people in”), trata-se de discutir as inflexões específicas que a questão deleuzeguattariana e os desenvolvimentos de Latour, Stengers e Nathan poderiam ter no pensamento antropológico.
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Núcleo de Antropologia Simétrica
(Reunião do NANSI)
Compartilhando experiências de campo, etnografias e escrita.
(MNA-825 - Oficina de Pesquisa em Antropologia)
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Marta Cioccari (PRODOC)
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O curso pretende se debruçar sobre aspectos epistemológicos e metodológicos relativos ao trabalho de campo (compreendendo interações, observação, entrevistas, diários, coleta de dados e de narrativas) e, mais particularmente, à construção dos textos pelos antropólogos. A proposta é que, para além da análise de determinadas abordagens teóricas, o curso funcione como uma oficina de análise e de discussão de experiências de campo e de escrita etnográfica.
O programa será dividido em quatro momentos: (i) leituras transdisciplinares e debate sobre contribuições teóricas e epistemológicas relativas ao trabalho de campo, à etnografia e à escrita; (ii) reflexão, a partir de monografias e textos metodológicos, sobre questões objetivas e subjetivas relacionadas ao trabalho de campo, à construção da interação e das entrevistas, à leitura dos dados obtidos na investigação e ao estatuto do antropólogo como autor; (iii) será proposto um exercício de campo coletivo (caso haja interesse dos alunos), visando o compartilhamento da experiência, com a discussão em seminário sobre métodos adotados, resultados e desafios encontrados; (iv) por fim, ênfase será dada à produção e à discussão de textos etnográficos, relacionados a um exercício coletivo (como a escrita de artigo conjunto a partir da experiência de campo, comum ou multi-situada) e às pesquisas conduzidas individualmente pelos alunos.
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Sociedades Camponesas
(MNA-804)
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Moacir Palmeira e John Comerford
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Para além dos debates em torno de termos como “camponês”, “campesinato”, “sociedades camponesa” e das implicações teóricas e políticas, que marcam a produção intelectual de diferentes disciplinas entre os anos 60 e 80 do último século, todo um conjunto de trabalhos empíricos sobre diferentes situações, grupos, sociedades, movimentos sociais, etc. rotulados como “camponeses” tem sido, desde então, desenvolvido por antropólogos e outros cientistas sociais. O objetivo do curso é discutir alguns desses trabalhos, tentando verificar em que contribuíram para a redefinição de temas e questões abordados pela antropologia social.
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Arquivos e outros artefatos de conhecimento: leituras modernas e modernistas
(MNA-811 – Antropologias Especiais)
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Olívia Gomes da Cunha e Amir Geiger (Unirio)
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Diferentes análises em torno da natureza das ‘coleções’, dos acervos e outros objetos ‘documentais’ vêm convergindo quanto à necessidade de pensá-los como artefatos de conhecimento. O curso pretende dar prosseguimento à reflexão sobre esses temas, mas propõe focalizá-los a partir de um ponto de vista etnográfico. Para tanto volta-se à produção de autores enquadrados sob rótulos tais como 'antropologia moderna' e 'modernista', bem como alguns de seus interlocutores, nem sempre antropólogos, mas designados 'modernistas'. De que maneira refletiram sobre a relação entre materialidades e conhecimento ? De que forma os 'objetos' e 'sujeitos' modernos foram transformados em conhecimentos científicos ? Como a produção de ambos é descrita em certos experimentos etnográficos ? O curso pretende sugerir alguns caminhos para a reflexão sobre essa temática 'isolando' a leitura dos modernos e modernistas de considerações posteriores de natureza histórica.
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Objeto, Imagem, Corpo, Religião
(MNA-832 – Antropologia social da cultura material)
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Renata Menezes
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Em conexão com trabalhos antropológicos preocupados com o lugar social dos objetos, e/ou com os objetos enquanto expressões culturais e/ou como condensadores de processos de simbolização, a intenção do curso é discutir como o corpo (de divindades, de santos e de devotos), as imagens (bi ou tridimensionais) e outras “coisas” (bandeiras, coroas, ex-votos, guirlandas de flores, lembranças, fotos e quadros) podem ser interpretadas como formas "materiais" ou "materializantes" de relações de devoção, ou, de um ponto de vista mais abrangente, de concepções de sagrado, e por isso mesmo, um tópico a ser privilegiado na análise antropológica. Busca-se assim estabelecer uma ponte entre Antropologia da Religião e Antropologia dos Objetos.
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2º
semestre
[ 06.ago - 14.dez ] |
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Antropologia das Emoções: sobre conexões entre sofrimentos, ação social, moralidades e políticas
(MNA 818)
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Adriana Vianna
com a colaboração da Profª Drª Maria Claudia Coelho (UERJ)
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A proposta do curso é explorar a interface entre "emoções" e ação social em espaços coletivos/públicos, procurando discutir conexões entre linguagens, moralidades e estratégias que têm na modulação dos "sentimentos" sua centralidade. A "injustiça", o "sofrimento" e toda uma diversificada gramática mobilizada para ordenar danos e empenhos pessoais-coletivos são tomados aqui como centrais para compreensão do elenco de formas de ação centradas nas ideias de reconhecimento, reparação e compensação.
Nesses termos, o curso retoma discussões feitas anteriormente no curso “Antropologia das Emoções: sentidos sociais do Sofrimento”, ministrado por Adriana Vianna no segundo semestre de 2010. Com a colaboração de Maria Claudia Coelho, professora do PPCIS/UERJ e atualmente em estágio pós-doc neste Programa, o curso pretende nessa edição explorar a importância das gramáticas emocionais e da “micropolítica das emoções” em tais processos.
A luta simbólica e desigual em torno do luto, bem como seu lugar ativo nas situações de conflito e guerras formais, como vem sendo explorado de formas distintas por autoras como J. Butler, V. Das ou C. Lutz, parece-nos especialmente valiosa para pensar tais conexões. Um conjunto de questões atravessará o curso, ajudando a formar, entre etnografias e textos diversos a serem lidos, o repertório de reflexões que pretendemos explorar.
Dentre elas, destacamos: que mortes e perdas podem ser publicamente pranteadas? Quais os limites colocados a esse pranteamento quando se fala de coletividades ou indivíduos "desimportantes" ou "indesejáveis"? Que estratégias são acionadas para que certas dores e sofrimentos possam ser tomados como questões políticas ou da ordem dos "direitos"? Como se distinguem e entrelaçam espaços afetivos e simbólicos "públicos" ou "domésticos" e de que modo as diversas formas de elaboração e representação do "sofrimento" estão presentes em cada um deles? Qual a relevância dos elementos de gênero, étnicos, raciais, de classe, familiares ou geracionais nesses contextos?
Atenção especial será dada também às implicações das formas narrativas através das quais esses processos ganham vida, materialidade e constroem possibilidades empáticas entre os diversos níveis de interlocução. As possíveis ligações entre as dimensões éticas e estéticas aí presentes, os jogos entre diferentes modos e significados de falar e não falar, bem como a positividade dos silêncios serão, assim, temas importantes ao longo do curso.
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A Pesquisa Antropológica Sobre a Administração Pública e Sobre a Idéia de Estado: políticas públicas como espaço de ação e ponto de observação
(Antropologia do Poder - MNA-809)
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Antonio Carlos de Souza Lima
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Programa (muito) provisório de um curso de leitura e trabalho.
O objetivo do presente curso (aqui meramente esboçado pelos fins e prazos organizacionais a que somos submetidos) é apresentar algumas perspectivas teóricas, uma orientação metodológica e espaço para debate de pesquisas sobre o contexto contemporâneo do funcionamento das “agências de Estado” e das concepções de Estado em jogo no cenário contemporâneo (brasileiro, em especial, mas não só), sobretudo a partir dos contornos de “políticas públicas”, o que significa pensar também articulações com dimensões fora das agências de Estado, ainda que não fora do guarda-chuva do Estado (seja de sua ideia, seja da redistribuição dos recursos por ele capturados a partir da taxação). Ênfase especial será dada à pesquisa em torno das chamadas “políticas culturais”, aqui entendidas em perspectiva ampla, ou seja como ações que tomam a “cultura” como objeto e instrumento de governo. Procuraremos, em especial, refletir sobre as possibilidades de produção de conhecimentos a partir do envolvimento do pesquisador com o cenário que analisa. Será fundamental discutir material substantivo de pesquisas e realizar leituras registradas em apresentações, resenhas e fichamentos que sejam úteis à pesquisa em curso de cada aluno.
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Etnologia dos Índios Sul-Americanos: Pensando a Transformação na Amazônia Indígena
(MNA-845 - Etnologia dos Índios Sul-Americanos)
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Aparecida Vilaça
Oiara Bonilla (Pós-doc, PPGAS/FAPERJ)
| | Este curso visa refletir sobre alguns conceitos-chave para a compreensão das sociocosmologias das terras baixas sulamericanas, tais como pessoa, humanidade, perspectiva, corpo, alma, natureza e cultura. O nosso foco será a noção de transformação, que será explorada em suas elaborações xamânicas, guerreiras e míticas, e particularmente em suas objetivações mais recentes, relacionadas ao contexto do chamado contato interétnico e da “modernização”. As concepções nativas de tradução e a sua relação com os processos conhecidos como mímesis constituirão vias privilegiadas para a compreensão das transformações experimentas nesse contexto. Embora o curso esteja centrado no universo nativo sulamericano, ele estará fundamentado em comparações, a partir da leitura de textos teóricos e etnográficos de especialistas em outras regiões, especialmente o Pacífico, a Ásia e a Mesoamérica, que oferecem reflexões interessantes para pensarmos o contexto ameríndio.
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Economias Populares e Formas de Governo
(MNA-801 - Problemas de Antropologia Comparada)
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Federico Neiburg (PPGAS/MNA) Fernando Rabossi (PPGAS/IFCS) Eugênia Motta (Pós-Doutorado PPGAS/MN/FAPERJ) Daniel Hirata (Pós-doutorado PPGSA/IFCS/FAPERJ)
| | O objetivo do curso é discutir instrumentos de pesquisa que permitam construir uma visão compreensiva das relações entre as práticas econômicas populares e as formas de governo, discutindo etnograficamente fenômenos que a literatura tende a tratar negativamente, em um registro normativo, em termos de (in)formalidade e (i)legalidade, i.e. em termos da suposta ausência ou marginalidade das relações salariais, das leis e do Estado. Ao contrário, do que se trata é de observar a pluralidade de agencias e de agentes (órgãos dos governos, agencias internacionais, ONGs, redes tidas como ilegais, etc.) que intervém nas práticas econômicas, nos fluxos de dinheiro, de mercadorias e de pessoas. Ao mesmo tempo, trata-se de explorar formas de conceituar as relações entre o governo das pessoas e das coisas para além do falso dilema da “dominação” dos governos e da “resistência” das práticas econômicas populares, mostrando a articulação de ambos em configurações sociais complexas. Trata-se por fim, de observar as práticas econômicas populares e as formas de governo além do quadro conceitual construído junto à ordem nacional-estatal do mercado, da lei e da soberania, nos territórios nacionais, nas fronteiras e nos circuitos transacionais. Observação: o curso terá entrada também via IFCS; as sessões serão alternadamente no Museu Nacional e no IFCS.
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Natureza, Cultura, Sociedade
(MNA 821-Críticas da Antropologia)
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Luiz Fernando Dias Duarte e
Gláucia Oliveira da Silva (UFF)
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Análise da cosmologia nativa do Ocidente, no que concerne sua concepção de natureza e de ser humano, com ênfase na discussão do modo como as manifestações atuais do epifenomenismo no âmbito das ciências naturais (sobretudo na genética, na psiquiatria biológica e nas neurociências) dão continuidade à dimensão mecanicista do projeto iluminista, na esteira da teoria evolucionista. Observar-se-á a corrente busca de popularização de uma ‘visão de mundo” epifenomenista e se utilizará como exemplo estratégico dos desafios à antropologia colocados por esse movimento os fenômenos associados à “religião” e à “doença mental”.
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Teoria Antropológica II
(MNA-702)
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Marcio Goldman e
Eduardo Viveiros de Castro
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O curso de Teoria Antropológica II deve ser um prosseguimento de Teoria Antropológica I. Nesse sentido, está destinado a examinar a trama do pensamento antropológico nas últimas três ou quatro décadas do século XX e na primeira do XXI.
O curso deverá explorar o que Edwin Ardener denominou o “fim dos ismos” em antropologia — ou seja, o eclipse das grandes “escolas” do pensamento antropológico e a eclosão da diversidade teórica contemporânea. Processos que passam, sem dúvida, pelas críticas “anti-colonialistas” e “pós-modernas”, que refratam, por um lado e à distância, os movimentos de descolonização posteriores à Segunda Guerra Mundial, e que apontam, por outro, para elaborações intelectuais mais recentes.
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Memória & Diferença (MNA 829-Antropologia dos Processos de Transformação)
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Olívia Cunha
| | O curso pretende explorar etnografias sobre ontologias dos espíritos e dos ancestrais em sociedades pós-coloniais e pós-escravistas. Análises sobre cultos e rituais funerários em socialidades nas quais diferenças sociais atravessam o ‘mundo’ dos vivos, dos espíritos, dos mortos e dos ancestrais (Michel Lambek, David Graeber, Roselind Shaw, Debbora Battaglia, entre outros) serão exploradas ao lado de estudos (em antropologia e história) sobre práticas de memória associadas a diferentes concepções de alteridade (Stephan Palmié, John Homiak, Paul Johnson, entre outros) e diferença.
Após o primeiro módulo, voltado à análise de questões teóricas, o curso consistirá em seminários de leitura e discussão de material etnográfico.
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